domingo, 1 de março de 2009

Viradas da vida

1.Um ato infeliz

Víctor sempre fora um rapaz muitíssimo vaidoso e convencido, chegava até a humilhar as pessoas às vezes, quando elas o incomodavam. Quem bem o conhecia, já imaginava que ele fosse capaz de QUALQUER COISA por ele mesmo, mas não que essa coisa seria tão ruim. Ninguém nunca pensou que ele pudesse ser tão falso e mau caráter. Pois passar por cima de alguém que se ama é diferente de fazer o mesmo com alguém que te incomoda.
Não, Luís nunca lhe fizera nada, e nem seria capaz, tamanha ara a amizade deles dois. Ele nunca seria nem nunca foi capaz de lhe fazer nada, por maior que fosse o seu sofrimento, ele não pagou com a mesma moeda, não foi falso, não estragou a imagem de Víctor, contando à todos os seus inúmeros podres; apenas o ignorou, pensando talvez que isso fosse o suficiente. Coitado do ingênuo Luís, não julgou necessário fazer o que a vida manda, na lei da sobrevivência humana, não pediu sequer UMA satisfação àquele que um dia fora o seu melhor amigo.

-Por que Víctor? Você sabe que Júlia te acha realmente atraente. Por que não quer ficar com ela? Você é ou não homem de verdade?
-Sabe que sou Lais, mas NÃO!
-Está mais é parecendo um covarde. Você nunca foi assim. Lembra daquela noite? Após o ano novo? Nossa, você me puxou pro canto, ninguém precisou insistir nada. Acha ela por acaso...
-Não Lai! Ela é linda, mas...
-Se não contar eu conto Ví!
-Conta o que Sara?-Lais quase babava de curiosidade.
-Tá bom então!-Murmurou Víctor; foi o pior que poderia fazer.
-Víctor não quer a Júlia, porque Luís é apaixonadinho por ela.
O silêncio foi imediato, um silêncio assustador, no qual Victor mergulhou fundo, percebendo que deveria ter sido fiel ao amigo, sem contar a ninguém o seu segredo.

Como sempre, essas fofocas se espalham feito vírus, e é claro que isso chegou aos ouvidos de Luis, pobre Luis. Talvez ele nunca tenha ficado tão bravo na vida.
-O que? Eu não acredito que o Victor fez isso! Então é por isso que todos me olhavam torto o dia todo? O tempo todo?- Ele andava de um lado para o outro, esmurrando tudo o que via pela frente- ele não tinha o direito, não podia- agora ele abria o armário de Víctor e jogava os seus pertences para fora- quero dizer, eu confiei nele não foi? Como ele pôde trair a nossa amizade desse jeito? Contar justo para a Sara, aquela fofoqueira nariz em pé! Não sei por que sou uma pessoa tão boa –ele ria bobamente, mesmo com as lágrimas marcando sua face- Quero dizer, de QUE adianta ser uma pessoa boa nesse mundo?
-Calma Luís, você não pode perder a cabeça- Seu amigo Carlos tentava controlá-lo.
-CALMA? VOCÊ ME PEDE PRA TER CALMA? SÃO 14 ANOS DE AMIZADE! TINHAMOS 1 ANO QUANDO NOS CONHECEMOS! ERA PRA ESSA VIAGEM AGORA SER PERFEITA! COMO EU VOU PODER DORMIR NO MESMO QUARTO DAQUELE CRETINO AGORA? COMO EU VOU PODER COMER NA MESMA MESA DA JULIA, SABENDO QUE ELA JÁ TEM CONHECIMENTO DA MINHA PAIXÃO?
Luís esfregava os pertences do amigo traidor no chão, raspava sua escova de dentes no vaso sanitário, o ódio borbulhando dentro de si, devorando as suas entranhas feito um monstro, que só fazia crescer, e crescer.

2 comentários:

Cherry Chérie disse...

Você escreve muito bem! =)

J. Besouro disse...

Falta de consideração da parte do Victor, sei muito bem como é isso, quando é como fazemos muito mais por um amigo, e esse amigo não seria capaz de fazer nem um décimo por nós, e muitas vezes nem quando perde a amizade aprende a valorizar...

Por favor, continue a história!
Esta muito boa.

www.casadobesouro.blogspot.com

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